terça-feira, 2 de junho de 2015

Insucesso escolar e família

O insucesso escolar é caracterizado pela incapacidade de uma criança em corresponder ao objetivos propostos pela escola. No entanto, a abordagem deste tema deve ser feita tendo em consideração tanto a escola como a sociedade, pois estes influenciam-se mutuamente, pois se os conteúdos lecionados pela escola não forem adequados com as aspirações individuais do aluno face às exigências sociais e ao tipo de mercado existente nessa sociedade, há maior manifestação de insucesso escolar.

A Família é um dos fatores que mais contribui para o insucesso escolar. Para começar, o nível cultural da família influencia bastante o aluno, pois tendem a ter tendência a educar o filho/a da mesma maneira, sensibilizando-os aos estudos, isto nota-se pois os alunos que vivem clima de cultura quotidiano obtêm menor taxa de insucesso, pois sabem que assim terão êxito.
Há uma forte relação entre o nível económico e o nível cultural do agregado familiar, pois as classes médias/altas tendem a incutir aos seus filhos orientações relacionadas com um futuro de qualidade (frequentar universidade, por exemplo), enquanto que as classes mais baixas tendem a sugerir a perspetiva de um futuro próximo, com menos custos e resultados imediatos.
Há pois fatores familiares que influenciam a cultura do aluno, como por exemplo, a vigilância nos trabalhos de casa, isto é, um pai com bom nível cultural está mais apto e mais pronto para ajudar o filho nos trabalhos do que os menos instruídos, no entanto isto é relativo pois há também vezes em que é difícil o “pai culto” ajudar o filho devido às exigências do trabalho e por outro lado o “pai menos culto” tentar ajudar o filho, mas sem conseguir suceder; o clima afetivo é outro fator pois se o aluno tem problemas em casa (pai/mãe alcoólico, ou até mesmo pais divorciados) tendem a ter baixos resultados, enquanto que quando o clima dentro de casa é “saudável” os resultados são mais satisfatórios; o último exemplo, é a pressão que é exercida sobre o aluno, isto é quando os pais procuram o “perfeccionismo” nos filhos os filhos tendem a sentir enorme pressão sobre eles e isso origina o contrário do resultado pretendido, o que origina uma desmotivação no aluno.

Como podemos ver o insucesso escolar e a família estão relacionados, sendo que se as desigualdades sociais diminuírem, o mais provável é o insucesso escolar também diminuir.

Márcia Araújo
nº6 12ºD

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Somos todos jornalistas



Uns dias depois dos festejos do Benfica no Marquês de Pombal, o jornal da noite abriu com a notícia de que um dos agentes da PSP arremessou de novo uma garrafa para os vândalos que haviam iniciado uma guerra de garrafas contra os agentes policiais. Neste seguimento, lá voltaram as imagens do “agente Silva” a agredir à bastonada um adepto do Benfica em frente à família, imagens repetidas vezes sem conta, até à exaustão. O indivíduo agredido transformou-se, desde logo, e herói nacional e levantou-se um grandioso movimento de contestação social que condenou vivamente aquilo que se considerou ser um ato de abuso de poder e de excessiva violência policial.

Foram já abertos rigorosos inquéritos contra os episódios da dita violência policial e a imprensa compete para ver quem se mostra mais civicamente exaltado e revoltado com o único fim de ganhar audiências. Desde esse domingo que a imprensa nãos faz outra coisa senão estar atenta ao desenvolvimento das opiniões manifestadas nas redes sociais e seguir atrás delas. Os próprios editores de imprensa vivem “no terror” de não deixar escapar qualquer movimento viral divulgados nas redes sociais.

Estamos, portanto, perante uma inversão dos papéis do jornalista e do público: não é o jornalista que determina o que é a notícia, é o público. O público que passa os dias ocupado nos Facebooks e afins a debitar opiniões sem qualquer informação ou reflexão e, como refere Miguel de Sousa Tavares numa das suas crónicas para o jornal Expresso, «com a mesma irresponsabilidade com que o povo dos circos romanos gritava a César se era para matar ou para perdoar».


Sendo assim, como é evidente, perde-se a noção daquilo que deve ser a função essencial do jornalista enquanto um intermediário entre a notícia em bruto e a sua explicação para o público e o jornalismo perde a sua razão de ser. Foi o caso concreto dos tristes acidentes em que degenerou a festa benfiquista. Os editores optaram por se concentrar nas opiniões emitidas nas redes sociais e emitiram-se daquilo que realmente interessava: a origem, actuação e formas de violência destes “arruaceiros” e a forma como a polícia deve actuar para os conter e enfrentar, para bem do espectáculo e de todos os outros que querem apenas assistir a um jogo de futebol.





José Pedro Pinto, 4

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A mulher

Desde há séculos que a mulher está numa luta constante pela igualdade de direitos, não só no trabalho mas em diversos órgãos da sociedade. A mulher é um ser maravilhoso, criador de vida e, na minha opinião, deveria ser mais valorizada e respeitada tal como o homem. Porém, com o passar do tempo as coisas têm vindo a mudar, a mulher conseguiu feitos importantíssimos para a sua afirmação como o direito ao voto que é tão decisivo na sociedade atual. Na história, temos mulheres brilhantes que mostraram ao mundo quem não é o sexo fraco. 

Em todo o mundo, vemos a mulher a ser tratada de formas distintas: nos países nórdicos da Holanda a mulher está cada vez mais próxima do homem em termos de igualdade. Porém, isso não se verifica em países como o Iémen onde a mulher continua a ser um objecto e uma escrava sexual. 
Apesar de todas as conquistas, de todos os avanços a mulher continua a ser vista e reconhecida pelo seu corpo ("usado" para campanhas publicitárias). Será a mulher apenas um corpo sem mente e uma postura? Não. É necessário mudar mentalidades. Sem uma mulher como seria possível a reprodução, por exemplo? Não seria. 
Uma mulher é um ser humano tal como o homem. Porquê inferioriza-la? Será que não merece todo o mérito, toda a valorização pelos seus feitos? É uma questão complexa que sim, deve ser pensada e repensada. 





A mulher é a flor mais sublime que a natureza deixou na Terra pelo seu perfume, pelo seu falar carinhoso e pela sua maneira de conseguir tudo o que anseia.

Sara Raquel

domingo, 24 de maio de 2015

A doença de Jerusalém

Vêm de todo o mundo, instalam-se em hotéis baratos e fazem peregrinações aos locais sagrados. Até que começam a vestir-se e a falar como Jesus...
São pessoas normais vindas de todo o mundo. Mas quando chegam à cidade-santa de Israel, transformam-se em Jesus cristo, São João Baptista ou Virgem Maria. A perturbação psicossomática chama-se síndrome de Jerusalém e atinge anualmente 50 a 100 visitantes da cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos.
Homem ou mulher, novo ou velho, qualquer turista, entre os três milhões que se deslocam todos os anos a Jerusalém, pode contrair a doença. Embora a maioria dos casos diagnosticados seja de adultos protestantes de meia-idade, que toda a vida seguiram os ensinamentos da Bíblia.
Chegam à cidade, instalam-se num hotel barato, fazem visitas demoradas à igreja do Santo Sepulcro - construída no local onda se julga que Cristo foi cruxificado à quase dois mil anos -, e perdem a cabeça. Jejuam, lavam-se obsessivamente, passam a usar túnicas feitas com os lençóis do quarto de hotel, começam a ouvir vozs e acabam internados em unidades hospitalares.
Em 1969, possesso, Denis Michael Rohan, acreditando estar a cumprir uma missão divina, incendiou a mesquita de al-Aqsa provocando motins na cidade santa (o caso deu origem a um filme).

O síndrome de Jerusalém foi descrito pela primeira vez nos anos 30 do século passado, mas conhecem-se relatos de casos desde a Idade Média. Comportamentos semelhantes foram sendo registados ao longo de séculos noutras importantes cidades religiosas, como Roma ou Meca, mas o fervor atingido em Jerusalém é maior.
                                                                                                      Lucas Salgado

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Mass media e o culto à beleza do corpo




 A busca incessante pela imagem e pelo corpo perfeito é uma realidade presente nas nossas sociedades.
  A prática do “culto do corpo” coloca-se hoje como preocupação geral, que atravessa todos os setores, classes socias e faixas etárias. Alcançar o “ideal de beleza” virou uma corrida contra o tempo e leva à utilização de múltiplos recursos para alcançar tal objetivo, mesmo que o resultado provoque problemas na saúde do indivíduo tais como problemas psicológicos, transtornos alimentares e situações de dismorfia corporal. 
 O marketing e os mass media são hoje a maneira mais abrangente e mais eficiente de formar e transformar sociedades e acaba por contribuir bastante na influência que é exercida sobre as pessoas (neste contexto) ao criarem o protótipo de beleza e exaltando-o constantemente acabando quase por nos obrigar a seguir os seus ideais de beleza e a ter atitudes patéticas na ânsia de alcançar a perfeição. Estudos revelam que nunca as pessoas gastaram tanto dinheiro com cosméticos, vestuário, tempo nos salões de beleza e com cirurgias plásticas como hoje e, ainda assim, continuam insatisfeitas consigo próprias. A questão é: devemos obedecer à risca os padrões que são impostos pela media?
 É evidente que devemos ter preocupação e cuidados com o nosso corpo nomeadamente por uma questão de saúde, no entanto, os cuidados com o corpo devem sempre respeitar os limites do nosso corpo e a nós a mesmos o que muitas vezes não acontece e acaba por atingir formas intensas e ditatoriais pela obsessão na busca insaciável da “perfeição”.
 Não existe um padrão de perfeição estética no mundo no qual nos devamos encaixar, a virtude estará sempre no equilíbrio.
































Tânia Pedrosa



sábado, 25 de abril de 2015

Rotina


Foi num 25 de abril como o deste sábado, mas há 40 anos e numa liberdade então recentemente tomada: a 25 de Abril de 1975, Portugal testemunhou as primeiras eleições livres e universais após quase meio século de ditadura. As primeiras eleições livres realizadas em Portugal, para a Assembleia Constituinte, foram também as mais concorridas dos últimos 40 anos. No dia 25 de abril de 1975 votaram 91,5% dos portugueses maiores de 18 anos, homens e mulheres, a esmagadora maioria pela primeira vez. Nunca mais foram tantos deitar o voto na urna. Vão, aliás, cada vez menos.


Isto explica-se pela rotina. E se há dia nacional que já entrou na rotina é o 25 de Abril. A rotina dos discursos politicamente corretos ou ideológicos, a rotina da partidarização da data histórica, a rotina das manifestações de bandeira vermelha e cravo ao peito, a rotina. Neste ano, com promessa de chuva, os portugueses não rumaram às praias de fim-de-semana, mas certamente que irão trocar as manifestações pelos centros comerciais, como já vem sendo hábito.

Quatro décadas depois, as liberdades e conquistas de abril fazem parte tão integrante da rotina que também a democracia sai prejudicada. Dando particular atenção à rotina da liberdade de voto (até porque, durante esta semana, tomei conhecimento, por uma carta do Ministério da Administração Interna, do meu número de eleitor), constata-se que os portugueses tendem, cada vez mais, a renunciarem ao direito de voto.

Por muito que nos custe perceber, o poder do voto é a melhor forma de nos defendermos do livre arbítrio dos poderes instituídos. Com o voto determinamos quem, em nosso nome, deve exercer o poder de legislar, executar e fiscalizar. A cada cidadão exige-se igualmente que se mantenha informado para que possa votar em consciência.

Abster-se também é uma opção, mas está longe de ser a melhor das soluções, porque isso significa que optamos por deixar para todos os outros o poder de decidir quem nos representa.

A liberdade de voto passa igualmente por votar em branco ou anular o voto como forma de protesto, mas esse voto não contribui diretamente para a escolha que temos de fazer em cada eleição.


Votar é um direito, mas em Portugal não é um dever. Há países onde o voto é obrigatório, e não há relatos de que a democracia funcione melhor aí do que funciona por cá. Tornar obrigatório o voto não seria nunca uma solução, porque a consciência não se impõe. É crucial a distinção entre o direito e o dever de fazer uma opção. No dever de a fazer deve estar também o direito de não a fazer. Ou seja, não votar tem as mesmas consequências que votar branco ou nulo e deve manter-se como opção, mesmo que isso signifique que outros escolhem por nós.

A julgar pela mentalidade do povo português e por algumas discrepâncias que ainda subsistem no que diz respeito ao direito à informação, deve manter-se a tendência nas próximas eleições legislativas. Ainda assim, fica o apelo para contrariar a rotina e acorrer às próximas eleições com a assiduidade, a crença e a esperança de há 40 anos atrás.

José Pedro Pinto, 4


quinta-feira, 23 de abril de 2015

A imigração ilegal

A imigração ilegal tem várias causas: a fuga à pobreza, salários baixos, destruição do meio ambiente, guerra, violência, perseguição política ou religiosa. Não é fácil por vezes distinguir , a fronteira entre o imigrante e o refugiado. Ambos fogem a uma situação menos boa que os obriga a deixar toda a sua vida para trás. Os imigrantes imigram também para aproveitar oportunidades de emprego que se oferecem em alguns países que carecem de mão-de-obra.. 
O envelhecimento das populações dos países economicamente mais desenvolvidos, implica um recurso à mão-de-obra estrangeira. O mundo conta actualmente, com cerca de 150 milhões de imigrantes.
A imigração ilegal, tem vindo  a crescer, constituindo actualmente um negócio para as redes de tráfico de seres humanos que gere em todo o mundo. 
A imigração não é um mal, muito pelo contrário,muitos exemplos históricos mostram que a mesma tem constituído um poderoso meio para o desenvolvimento cultural, social e económicos da sociedade.
Para combater as causas da imigração que se apresenta como a única alternativa para a sobrevivência das pessoas, e que é objecto de exploração de redes de tráfico de seres humanos. Para isso impõe-se, entre outras as seguintes medidas: adopção de uma diplomacia preventiva; um maior empenho na ajuda aos países do hemisfério sul; sanções duríssimas para com os regimes que não respeitem os direitos humanos. 
Raquel Pinto